Sexta-feira, 31 de Março de 2017

"O lado triste de quando emigras e ninguém te diz" - by Sofia de Sousa e Silva



"Quando és inicialmente confrontado com a ideia de emigrar, das duas uma: ou sabes que é temporário e que eventualmente voltas para o teu País ou então vais com a ideia de “vamos ver no que dá”, sabendo perfeitamente que a possibilidade de te instalares permanentemente no estrangeiro é real.

 

A forma como estas duas possibilidades são abordadas tem um grande peso na forma como te relacionas com os teus amigos. Não digo família, porque tradicionalmente nós Portugueses somos bastante chegados à família e isto não acontece.

 

No meu caso, emigrei com a segunda ideia mencionada acima. Vim para Inglaterra sabendo perfeitamente que a ideia de regressar a Portugal era bastante diminuta. No inicio foi complicado, admito. As saudades de casa e da comida custavam mas acima de tudo fazia-me falta o conforto psicológico que é saber que estava na minha zona de conforto.

 

 

Perdi tudo isso a partir do momento em que o avião descolou. Deixei de pertencer a Portugal mas na verdade também não pertencia a Inglaterra. Fiquei quase como órfã e não consigo evitar sentir-me assim mesmo que pouca gente o compreenda.

 

A realidade inicial era que os meus amigos metiam posts no meu Facebook, comentavam as minhas fotos a dizer que tinham saudades e para eu voltar; quando eu ia a Lisboa faziam questão de me ver e as conversas mantinham-se inalteradas.

 

Depois, sem eu perceber muito bem como, tudo isso mudou. Os comentários nas fotos passaram a ser apenas um Like ocasional, as mensagens passaram a ser recebidas com semanas de intervalo.

 

Quando emigras apercebes-te que começas a perder aniversários, baby showers e nascimentos mas vês tudo isso acontecer através do écran de um computador. Perdes casamentos porque um convite nunca chegou. Porque naquele momento, a tua amizade já não é importante nem forte o suficiente para festejar um evento que (supostamente) acontece uma vez na vida. É-te dito que foi preciso fazer escolhas e tu manténs a postura mas por dentro ficas na merda porque sabes que se fosse ao contrário, nao haveria sequer escolha possivel sobre a presença de A ou B.

 

Não passas duma memória distante prestes a desaparecer da mente daqueles em quem tu ainda pensas quase diariamente. Porque afinal, foste tu que te foste embora.

 

Tu continuas num País que nao é o teu. O teu coração mantém-se em Lisboa e em Lisboa, a vida continua sem ti.

 

Os teus amigos continuam a fazer jantaradas e almoçaradas, continuam com o dia a dia e com planos para o fim de semana, vida essa da qual tu já nao fazes parte. Continuas a testemunhar as amizades que se mantêm e começas a observar que há pessoas novas nessas fotos que tu não sabes quem é nem nunca ouviste falar.

 

Quando finalmente, sim FINALMENTE estás de férias e sentes que finalmente vais poder respirar de novo porque estás em casa, fazes de tudo para estar com os teus amigos e mostrar que a amizade se mantem. Tens coisas que queres partilhar e queres saber as novidades. Entristece-te quando eles pouco ou nada tentam porque o diariamente continua e é complicado planear coisas com 3 ou 4 meses de antecedência.

 

Mas tu precisas desses 3 ou 4 meses meses para conseguires um voo com um preço mais acessível e porque precisas marcar ferias no trabalho. Gostavas de um pouco mais de compreensão mas ao final do dia foste tu que te foste embora.

 

Vai chegar o dia em que as mensagens que já tão raramente acontecem, vão cessar.

 

Vai chegar o dia em que vais estar de férias mas tu própria já não vais enviar mensagens de grupo a avisar que estás por perto e que adoravas ver aquelas pessoas que fazem o teu coração ficar quentinho. Porque mais uma rejeição daqueles com quem cresceste vai doer e já custa a dor que sentes diariamente num País que não é teu.

 

Vai chegar o dia em que tu há muito que és uma memória distante e que vais ter que aceitar a nova realidade em que te encontras.

 

Vai chegar o dia em que vais ter que aceitar que és de nacionalidade e criação Portuguesa mas que a cada dia que passa começas a ser menos e menos uma emigrante e cada vez te misturas mais com a cultura Britânica. O sotaque já não soa Americano porque aprendeste Inglês a ver filmes; pedes desculpa e obrigada 40 vezes por dia. Sabes que definitivamente algo mudou em ti quando ficas solenemente irritada com a falta de cortesia de algumas pessoas em situações mundanas como a ausência de um acenar de mão quando cedes passagem.

 

Vai chegar o dia em que aqueles com quem cresceste vão ser uma memória distante porque para atenuar a dor e não largares tudo aquilo que tanto lutaste num País que não é teu, não tens escolha.

 

E para deixares de te sentir órfão, tens que fazer uma escolha. E a escolha apesar de difícil, e aquela que te vai manter no rumo que escolheste para ti, para a tua vida e para os teus. Se estás no mesmo barco que eu, força! Porque para a frente é que é caminho."

 

Texto escrito por Sofia de Sousa e Silva, autora do blog Letters from Bristol (tirado daqui ) Eu não teria escrito melhor!!


voado por Sem Asas às 08:08
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Quarta-feira, 29 de Março de 2017

Dos milagres caseiros

Juro pela minha alma: não sabia o aspecto do fundo do meu cesto de roupa suja. Ou então, já há mesmo muito tempo que não o via, e esqueci como era.

Mas a verdade é que esta manhã, ao meter a roupa na máquina para lavar mais uma carga de roupa - felizmente faz calor e a roupa seca depressa - vi que de facto, o cesto ficou vazio. Nem uma meia solitária para amostra. Milagre que não se registou imediatamente dado o estado de cansaço em que ando.

Juro pela minha alma: o meu cesto de roupa suja é um cesto de verga de cor escura, e no fundo esta escrito a palavra 'CURVER'. A sério.

Por outro lado, é milagre passageiro, porque sei que hoje à noite já vai haver roupa suja no cesto. Principalmente dos meus pirralhos, que pensam que roupa é coisa de uso único e hop, volta ao ciclo de lavagem.

Juro (pela minha alma), não sei como consegui, mas tenho a impressão que devo ter esquecido de fazer uma outra tarefa caseira - ou não teria chegado ao fundo do cesto.

Ah espera, sim já estou a ver... há papéis para arrumar, facturas a classificar - o IRS não está longe, não; aspirador a passar na casa toda e esfregona logo após, loiça para lavar, cursos de Matematica a preparar... e o cansaço que se faz sentir. Mas é bom saber que milagres - dos caseiros, não os outros - podem acontecer de quando em quando.

voado por Sem Asas às 11:52
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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Curtas mas boas - Nelson Mandela

 

"Uma das melhores formas do optimismo é guardar a cabeça erguida em direcção do Sol e manter os pés em movimento."

(tradução livre par moi-même)

 

Escrito, ao que parece, por Nelson Mandela. Muito bom.

voado por Sem Asas às 20:37
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Quinta-feira, 16 de Março de 2017

Destaques

Isto de ver que tive um destaque nos blogs do sapo há exactamente 3 semanas é obra.

No sentido em que como só venho ao blog quando me dá na telha - felizmente que ainda é coisa algo regular - só vi esta boa notícia agora. Olha-me qu'isto (como dizia a minha avó). Enfim, queria agradecer o destaque (que explica o numero de visitantes há qualquer coisa como 3 semanas), se é merecido ou não, é outra historia.

Um grande bem haja a todos os que me lêem e para a equipa do sapo!

voado por Sem Asas às 08:35
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Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Curiosidades

Esta manhã decidi limpar o frigorífico.

Isto quer dizer que reparei nas 2 garrafas que estão na porta do dito frigorífico, garrafas estas com bebidas alcoólicas lá dentro.

Decidi que não quero mais - afinal tira espaço para as garrafas de leite e de sumo de fruta que tenho a dar com um pau.

Então decidi que para que as ditas garrafas deixarem de ocupar espaço, tinha que as acabar. Ora bem, que rica ideia, sim senhor.



Aqui estou eu, uma meia garrafa de muscatel e uma outra de champanhe depois, bêbada às 10h da manhã e a pensar que tenho de ir dar aulas dentro de 1h. Tá bonito sim senhor!

(temo pelas minhas alunas, visto o tempo que me levou para escrever este post)

voado por Sem Asas às 09:37
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